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Abelhas nativas são mais sensíveis a agrotóxicos



A importância das abelhas na polinização e preservação da biodiversidade é inquestionável. No entanto, um recente estudo revelou uma descoberta preocupante: as abelhas nativas são mais sensíveis aos agrotóxicos do que as espécies usadas nos testes para aprovação de produtos. Essa revelação lança luz sobre a necessidade de reavaliar os métodos de avaliação de impacto ambiental e destacar a importância da proteção das abelhas nativas.

As abelhas sem ferrão são abundantes em lavouras e muito utilizadas na meliponicultura. Na produção brasileira de mel, Uruçu Nordestina (Melipona scutellaris) e Jataí (Tetragonisca angustula) estão dentre as 500 espécies presentes. Contudo, é muito comum encontrar espécies exóticas que as substituem, como é o caso da abelha africana com ferrão (Apis mellifera). É de consenso geral que uma redução na população de abelhas trará impactos negativos ao meio ambiente e também à produção agrícola. Pesquisas recentes mostram que o uso de certos agrotóxicos afetam mais as espécies nativas do que a abelha africana.


É o caso do estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que comparou a sensibilidade de abelhas nativas e espécies usadas nos testes de toxicidade de agrotóxicos. Surpreendentemente, as abelhas nativas apresentaram maior vulnerabilidade aos efeitos nocivos dos pesticidas.


Essa diferença de resposta pode ser atribuída às características biológicas e comportamentais específicas das abelhas nativas, que as tornam mais suscetíveis a esses produtos químicos. Os resultados destacam a importância de considerar a diversidade de abelhas e suas peculiaridades ao avaliar a segurança de produtos agrícolas. A utilização de espécies comumente usadas em testes de toxicidade, como a abelha Apis mellifera, pode não fornecer uma imagem completa dos riscos enfrentados pelas abelhas nativas.


As abelhas nativas desempenham um papel fundamental na polinização de plantas nativas e culturas agrícolas, contribuindo para a manutenção da biodiversidade e a produção de alimentos. Portanto, a exposição a agrotóxicos pode ter efeitos devastadores em populações de abelhas nativas e no ecossistema como um todo.


Diante dessa descoberta, é urgente repensar as estratégias de aprovação de produtos químicos agrícolas e implementar medidas mais rigorosas para proteger as abelhas nativas. Além disso, é essencial incentivar práticas agrícolas sustentáveis, como o uso de métodos de controle de pragas não químicos e o cultivo de plantas que fornecem recursos alimentares para as abelhas ao longo de todo o ano.


A pesquisa revela uma alarmante disparidade na sensibilidade dos diferentes tipos de abelhas aos agrotóxicos. A proteção das abelhas nativas é crucial para preservar a biodiversidade e garantir a segurança alimentar a longo prazo. Nesse sentido, é fundamental a revisão dos métodos de aprovação de produtos químicos e a adoção de práticas agrícolas sustentáveis. A conscientização e ação coletiva são necessárias para garantir um futuro saudável tanto para as abelhas quanto para o nosso planeta.


Estudos mais antigos já eram questionados por pesquisadores, pois indicavam que dados toxicológicos sobre a abelha africana eram superiores em relação à outras com comportamento social oposto. Atualmente, novos protocolos estão em desenvolvimento em relação às abelhas sem ferrão.


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